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sexta-feira, 10 de abril de 2015

vida arte fato

o poeta é o artífice
a poesia o artifício
o poema o artefato

(AC - Sampa, 10/04/2015)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Dose


Necessária se faz a beleza
nesta vida pacata e mofina,
pois sem ela só resta a certeza
de que um dia esse tédio termina.

É preciso escrever poesia.
De uma dose diária careço,
pois é isso que tira meu dia
da rotina sem fim nem começo.

A poesia é a pílula diária
que desopila este espírito cansado
e me dá forças para, mesmo em agonia,

ter a virtude poderosa, extraordinária,
de achar na arte deste artista fracassado
libertação do ramerrão do dia a dia.

AC – 19/11/12

sexta-feira, 1 de junho de 2012

codecodificação

a musa sibila
o poeta soletra
o poema só letra
o olho penetra

a mente decifra
a boca silaba
a vida celebra
o tempo calibra

AC - Sampa, 01/06/2012

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

anatomia do poeta

fronte altiva por mais que desgraçada
olhar torcido por realidades paralelas
pernas sobre firmes princípios
sexo ardente faz arder a moral
coluna que não se dobra mesmo quando rasteja
ventre insaciável guarda a fome do mundo
pulmões aspiram sonhos
coração pulsa paixão
na garganta mora uma canção
faro para o futuro
tato para a dor própria e alheia
ouvidos de ouvir musas e sereias
cérebro desregulado pensa diferente
sem falar num certo jeito de dizer
o que mais ninguém diria
com beleza e valentia

AC - Sampa 17/01/2008

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Escrever poesia

Será fuga escrever poesia?
Tanta coisa acontecendo o mundo desmoronando
e o poeta concertando as palavras sobre a linha
vivendo da mão pra boca entre o quarto e a cozinha
tanta coisa produtiva o poeta poderia
mas cisma escrever poesia

Vale a pena fazer poesia?
Uma coisa assim desimportante
tão sem valor de mercado não rende juros de mora
inútil à economia e aos jogos de poder
por que gastar tempo e tinta
com códigos obscuros que pouca gente valora

Será um tolo o poeta?
Que sabe falar bonito é inquestionável
mas sabendo assim falar com tal estro e maestria
que falas produziria se falasse claramente
coisas práticas e úteis ao mundo real atinentes
influenciar e produzir o poeta poderia

Será recuperável o poeta?
Os amigos do poeta se não dizem se perguntam
se em vez de gastar seu verbo com flores verbais
que não faria o poeta entre flores vegetais
qualquer serviço ou produto teria melhor vendagem
do que essas gratuitas graças dos enigmas geniais

Será feliz o poeta?
Sabendo bem dessas coisas ele sorri com amargura
se as folhas produzidas fossem folhas de verdura
quitandeiro ou quituteiro de sucesso poderia
mas sua felicidade está em compartilhar
essa coisa indefinível inútil bela terrível

Vale a pena a poesia?
Se eu morresse amanhã pensa o artífice imprestável
por que seria lembrada no mundo a minha passagem
se não pela seiva inútil dessas mensagens cifradas
pelas quais eu distribuo coisas que não têm preço
a gente que não sei quem que sente como eu também

AC - Sampa 19/11/2007