sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Viverdejar
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Loas ao gato
Um gatinho deitado no meu colo, com a cabeça apoiada em meu braço é a sensação mais próxima de paraíso que minhalma consegue alcançar. Sentir sua respiração ao compasso do lento pulsar da barriga é pressentir Deus como veio ao mundo, sentir em estado puro. O gato é a obra prima da criação, o animal em estado de perfeição. Tudo mais que vive foi tentativa de fazer o gato, menos bem sucedida. O reino animal é o rascunho do gato.
Tudo bem que o ser humano tem o raciocínio contínuo e se confunde com isso e escreve discursos inteiros sobre o que pensa que sente, mas quem consegue sentir como um gato? Quem consegue abraçar como um gato? Aconchegar-se como um? Quem sabe ser tão solidário, podendo ser solitário? Quem é capaz de ser feliz com um afago? Quem consegue prescindir de um, como o gato?
Domingo sem tédio, sono total em qualquer cama de pedra, tudo isso sem falar na sua elegância natural, seu à-vontade no mundo, coisa de dominante da cadeia alimentar. Que o gato é a mais perfeita máquina de guerra jamais construída, por isso sabe viver em paz. E a beleza do gato, que gato feio não existe, quem pode se comparar? Quando o homem tentou viver sem gatos não deu certo, porque veio a peste negra e depois dela outras pestes. Os gatos vivem sem os homens, e muito bem, se quiserem, mas gostam de nós e por isso fazem uma concessão e nos felicitam com a sua companhia. Dádiva generosa da mãe natureza, modelo de perfeição colocado ao nosso lado para que nós, seres tão sem jeito e desengonçados, tenhamos um modelo a imitar, com quem aprender para sabermos melhor quem ainda queremos ser.
Alberto Centurião - Sampa, 22/10/2007
segunda-feira, 21 de junho de 2010
errático
errando
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Mais uma dose
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
domingo, 13 de dezembro de 2009
extravagância
minha mente vaga
vagamente
extravagante
pensamentamorfoses
metapensaformoses
formosas metamorfoses
Alberto Centurião
Sampa 11/12/2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Viver faz mal à saúde
Só teme a morte quem tem culpa no cartório
A passagem do tempo é dado positivo
Desgasta-se este gasto corpo provisório
A fim de revelar-se o ser definitivo
Um dia para todos chega o fim da linha
Mais vale estar bem morto que mal estar vivo
Um corpo sobre a terra é sombra que caminha
Da eternidade a vida é só o aperitivo
Viver faz mal à saúde, eis a questão
O velho tempo, com seu fluido deletério
Faz o serviço e nos ensina uma lição
Espírito no espaço, corpo no velório
No dia em que a chave gira no mistério
A experiência vale mais que o palavrório
Alberto Centurião
Sampa, 06/08/2004
tempus fugit
gota gota gota
pinga pinga pinga
tic tac tic tac tic tac
tempo escorrendo
vida esvaída
vaza em vão
temporário provisório
sem registro no cartório
o feito por atenção
foi em vão
as coisas que fiz
por puro impulso ao acaso
nessas fui feliz
Alberto Centurião
Sampa, agosto/2009