sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Viverdejar

Errar por certas paragens
Andar por ermas passagens
Ermidas pedras pastagens
Viver a dizer bobagens
Levar a vida a contento
A alma solta no vento
Um coração barulhento
Relega o sonho ao relento
Entre frondosas ramagens
Lançar para o firmamento
No meio de uma estiagem
Vergôntea ramo rebento.
Alberto Centurião
Sampa, 05/09/2007

O Gato

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Loas ao gato

Um gatinho deitado no meu colo, com a cabeça apoiada em meu braço é a sensação mais próxima de paraíso que minhalma consegue alcançar. Sentir sua respiração ao compasso do lento pulsar da barriga é pressentir Deus como veio ao mundo, sentir em estado puro. O gato é a obra prima da criação, o animal em estado de perfeição. Tudo mais que vive foi tentativa de fazer o gato, menos bem sucedida. O reino animal é o rascunho do gato.

Tudo bem que o ser humano tem o raciocínio contínuo e se confunde com isso e escreve discursos inteiros sobre o que pensa que sente, mas quem consegue sentir como um gato? Quem consegue abraçar como um gato? Aconchegar-se como um? Quem sabe ser tão solidário, podendo ser solitário? Quem é capaz de ser feliz com um afago? Quem consegue prescindir de um, como o gato?

Domingo sem tédio, sono total em qualquer cama de pedra, tudo isso sem falar na sua elegância natural, seu à-vontade no mundo, coisa de dominante da cadeia alimentar. Que o gato é a mais perfeita máquina de guerra jamais construída, por isso sabe viver em paz. E a beleza do gato, que gato feio não existe, quem pode se comparar? Quando o homem tentou viver sem gatos não deu certo, porque veio a peste negra e depois dela outras pestes. Os gatos vivem sem os homens, e muito bem, se quiserem, mas gostam de nós e por isso fazem uma concessão e nos felicitam com a sua companhia. Dádiva generosa da mãe natureza, modelo de perfeição colocado ao nosso lado para que nós, seres tão sem jeito e desengonçados, tenhamos um modelo a imitar, com quem aprender para sabermos melhor quem ainda queremos ser.

Alberto Centurião - Sampa, 22/10/2007

segunda-feira, 21 de junho de 2010

errático

errando
entre erros e acertos
sou um ser errante
caminhando
para o grande acerto

Alberto Centurião
Sampa 05/09/2007

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Mais uma dose

trincho o tempo que me destrincha
em ciclos fases obras vidas
devassado em minhas íntimas fronteiras
ser mais eu é minha última trincheira
Alberto Centurião
Sampa 31/12/2009

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

flash

lúcida imagem

vaga mensagem

Alberto Centurião

Sampa 11/12/2009

domingo, 13 de dezembro de 2009

extravagância

minha mente vaga

vagamente

extravagante

pensamentamorfoses

metapensaformoses

formosas metamorfoses

Alberto Centurião

Sampa 11/12/2009

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Viver faz mal à saúde

Só teme a morte quem tem culpa no cartório

A passagem do tempo é dado positivo

Desgasta-se este gasto corpo provisório

A fim de revelar-se o ser definitivo

Um dia para todos chega o fim da linha

Mais vale estar bem morto que mal estar vivo

Um corpo sobre a terra é sombra que caminha

Da eternidade a vida é só o aperitivo

Viver faz mal à saúde, eis a questão

O velho tempo, com seu fluido deletério

Faz o serviço e nos ensina uma lição

Espírito no espaço, corpo no velório

No dia em que a chave gira no mistério

A experiência vale mais que o palavrório

Alberto Centurião

Sampa, 06/08/2004

tempus fugit

gota gota gota

pinga pinga pinga

tic tac tic tac tic tac

tempo escorrendo

vida esvaída

vaza em vão

temporário provisório

sem registro no cartório

o feito por atenção

foi em vão

as coisas que fiz

por puro impulso ao acaso

nessas fui feliz

Alberto Centurião

Sampa, agosto/2009

satisfação

yinsatisfação

yangsatisfação

Alberto Centurião

Sampa, agosto/2009