vendo teus olhos
desnudo desvendo
tudo à vista
AC – Sampa 14/09/10
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
sábado, 10 de dezembro de 2011
caindo fora
cansei da idade do bronze
vim de mudança pra dois mil e onze
mas não deu certo estou caindo fora
um tempo novo só se for agora
envelheço mas não perco a pose
vou curtir a vida em dois mil e doze
AC - Sampa, 10/12/2011
vim de mudança pra dois mil e onze
mas não deu certo estou caindo fora
um tempo novo só se for agora
envelheço mas não perco a pose
vou curtir a vida em dois mil e doze
AC - Sampa, 10/12/2011
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
a gênese da ação
da mente à mão / à boca
o pensamento torna-se palavra
a ideia converte-se em ação
a alma toma corpo
e a vida vira via
quando o verbo se faz carne
e habitamos em nós
AC - 1.996
o pensamento torna-se palavra
a ideia converte-se em ação
a alma toma corpo
e a vida vira via
quando o verbo se faz carne
e habitamos em nós
AC - 1.996
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Madeira de Lei
um artista é fruto vivo da terra
brota do chão
feito um roçado de arroz ou de feijão
emerge do solo da sociedade e da raça
rosa florindo espinhos
espinhos formando um peixe
peixes formando um signo
de liberdade e beleza
um artista é uma árvore:
quanto mais alto se eleva
mais fundo faz seu mergulho
e se o artista se fina
seu tronco não se elimina
produz madeira de lei
(AC - Anos 70...)
brota do chão
feito um roçado de arroz ou de feijão
emerge do solo da sociedade e da raça
rosa florindo espinhos
espinhos formando um peixe
peixes formando um signo
de liberdade e beleza
um artista é uma árvore:
quanto mais alto se eleva
mais fundo faz seu mergulho
e se o artista se fina
seu tronco não se elimina
produz madeira de lei
(AC - Anos 70...)
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terça-feira, 8 de novembro de 2011
Eu gosto de gente
É bom encontrar pessoas,
abraçar corpos humanos,
conviver, conversar.
Passear, intercambiar pensamentos,
estimulando a mente à renovação criativa.
É nas trocas afetivas que me reconforto e reencontro.
Tem gente que gosta de bichos,
gente que gosta de plantas.
Eu gosto de plantas e bichos,
mas gosto mesmo é de gente.
Com seu alarido, seu desengonço,
seu mau-humor e cansaço.
Gente que não se encontra,
que se desencontra e discute e se bate.
Gente que pensa e, mais do que sente, pressente.
Gente voluntariosa, que não obedece,
que pensa e discorda.
Gente cheia de vontades,
que não sabe ao certo o que quer,
mas sabe que quer e tenta encontrar,
sabendo tão bem o que faz questão de perder.
Gente que pode ser muito decente,
mas que não é inocente.
Nada melhor que o bicho-gente,
das reações impertinentes.
Imprevisível animal,
ante o qual não convém, jamais, se desarmar.
Ser da mesma natureza,
o único com o qual podemos dialogar.
Manso ou fera, o bicho-gente
é o companheiro perfeito para fazer desta terra
meu inferno indispensável
e meu paraíso possível.
AC, mil novecentos e oitenta e poucos.
abraçar corpos humanos,
conviver, conversar.
Passear, intercambiar pensamentos,
estimulando a mente à renovação criativa.
É nas trocas afetivas que me reconforto e reencontro.
Tem gente que gosta de bichos,
gente que gosta de plantas.
Eu gosto de plantas e bichos,
mas gosto mesmo é de gente.
Com seu alarido, seu desengonço,
seu mau-humor e cansaço.
Gente que não se encontra,
que se desencontra e discute e se bate.
Gente que pensa e, mais do que sente, pressente.
Gente voluntariosa, que não obedece,
que pensa e discorda.
Gente cheia de vontades,
que não sabe ao certo o que quer,
mas sabe que quer e tenta encontrar,
sabendo tão bem o que faz questão de perder.
Gente que pode ser muito decente,
mas que não é inocente.
Nada melhor que o bicho-gente,
das reações impertinentes.
Imprevisível animal,
ante o qual não convém, jamais, se desarmar.
Ser da mesma natureza,
o único com o qual podemos dialogar.
Manso ou fera, o bicho-gente
é o companheiro perfeito para fazer desta terra
meu inferno indispensável
e meu paraíso possível.
AC, mil novecentos e oitenta e poucos.
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sexta-feira, 4 de novembro de 2011
o nada e o todo
a gestante do móvel
está no ponto de partida do nada
a matriz do fixo
está na raiz do todo
entre tudo e nada
a fratura
entre o transitório e o eterno
o abismo
entre o que não e o que é
o tempo
entre existir e ser
a vida
entre o ser e o destino
a vontade
na fratura
entre o abismo e o tempo
a vida transita
do nada ao todo
entre o fragmento e o vitral
a luz faz a música
AC - Sampa, terça-feira gorda 05/02/2008
está no ponto de partida do nada
a matriz do fixo
está na raiz do todo
entre tudo e nada
a fratura
entre o transitório e o eterno
o abismo
entre o que não e o que é
o tempo
entre existir e ser
a vida
entre o ser e o destino
a vontade
na fratura
entre o abismo e o tempo
a vida transita
do nada ao todo
entre o fragmento e o vitral
a luz faz a música
AC - Sampa, terça-feira gorda 05/02/2008
sobre o medo
o medo é um sentimento insidioso
que penetra nas entranhas do ser
ou é gerado dentro delas
sei lá
o caso é que
estando ali alojado
desfibra corrói amolece apodrece
o medo é uma toxina
que se infiltra por capilaridade
e uma vez impregnada injetada inseminada
é feito uma resina que a tudo contamina
degrada os fluidos orgânicos
distorce a percepção
sequestra a lógica
instala tal sentido de urgência
que o sujeito
de medo intoxicado
entre agredir ou fugir às vezes fica parado
herói paspalho e covarde reconhecem muito bem
agressão inércia fuga são três respostas possíveis
aos três estágios do medo
numa escala graduada entre pânico e receio
entre certeza e suspeita
entre a reles ilusão e a completa alucinação
vacila o cidadão
do terror mais deslavado à fúria descontrolada
a exposição prolongada ao medo
faz ficar exasperado em constante irritação
além de ser graduado o medo tem muitas faces
medo de ter ou carecer
de ver ou saber
de ser agredido perseguido aniquilado
ameaça presente do futuro ou do passado
de fonte certa ou incerta
mas o medo que mais ameaça
por mais seja descabido
é o medo descomunal que causa o desconhecido
cuja ameaça é maior pior mais tenaz perniciosa
porque o medo estando dentro
destila o seu veneno por via intravenosa
secreta hormônios trilha neurônios
e acorda monstros reconhecíveis críveis por mais incríveis
porque habitando dentro
conhecem como ninguém fraturas falhas fissuras
incoerências secretas ridículos taras demências
em que o ser se atormenta se delicia ou compraz
o medo é feito um espelho que reflete o que há por dentro
vísceras e desejos revirados luz e treva entreverados
por isso que o mestre medo é um professor detestado
que castiga mas ensina o aluno matriculado
na disciplina da vida cujo nome é coragem
a erguer com desassombro o novo sobre os escombros
AC - Sampa 19/11/2007
que penetra nas entranhas do ser
ou é gerado dentro delas
sei lá
o caso é que
estando ali alojado
desfibra corrói amolece apodrece
o medo é uma toxina
que se infiltra por capilaridade
e uma vez impregnada injetada inseminada
é feito uma resina que a tudo contamina
degrada os fluidos orgânicos
distorce a percepção
sequestra a lógica
instala tal sentido de urgência
que o sujeito
de medo intoxicado
entre agredir ou fugir às vezes fica parado
herói paspalho e covarde reconhecem muito bem
agressão inércia fuga são três respostas possíveis
aos três estágios do medo
numa escala graduada entre pânico e receio
entre certeza e suspeita
entre a reles ilusão e a completa alucinação
vacila o cidadão
do terror mais deslavado à fúria descontrolada
a exposição prolongada ao medo
faz ficar exasperado em constante irritação
além de ser graduado o medo tem muitas faces
medo de ter ou carecer
de ver ou saber
de ser agredido perseguido aniquilado
ameaça presente do futuro ou do passado
de fonte certa ou incerta
mas o medo que mais ameaça
por mais seja descabido
é o medo descomunal que causa o desconhecido
cuja ameaça é maior pior mais tenaz perniciosa
porque o medo estando dentro
destila o seu veneno por via intravenosa
secreta hormônios trilha neurônios
e acorda monstros reconhecíveis críveis por mais incríveis
porque habitando dentro
conhecem como ninguém fraturas falhas fissuras
incoerências secretas ridículos taras demências
em que o ser se atormenta se delicia ou compraz
o medo é feito um espelho que reflete o que há por dentro
vísceras e desejos revirados luz e treva entreverados
por isso que o mestre medo é um professor detestado
que castiga mas ensina o aluno matriculado
na disciplina da vida cujo nome é coragem
a erguer com desassombro o novo sobre os escombros
AC - Sampa 19/11/2007
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
liberdade adicional
"a sua liberdade termina onde a minha começa"
diz quem sabe limitar
podar restringir regular proibir
liberdade que impõe limites
a si própria se limita
liberdade é antes encontro
acréscimo horizonte complemento
adição de possibilidades
para quem quer ser livre
a liberdade do outro
é condição indispensável
onde começa a sua liberdade
é que começo a ser livre
AC - Sampa, 02/11/2011
diz quem sabe limitar
podar restringir regular proibir
liberdade que impõe limites
a si própria se limita
liberdade é antes encontro
acréscimo horizonte complemento
adição de possibilidades
para quem quer ser livre
a liberdade do outro
é condição indispensável
onde começa a sua liberdade
é que começo a ser livre
AC - Sampa, 02/11/2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Liberdades
minha rua continua
nos passos da sua rua
liberdade vira via
onde a outra principia
AC - Sampa, 01/11/2011
nos passos da sua rua
liberdade vira via
onde a outra principia
AC - Sampa, 01/11/2011
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
A chegada da felicidade
A felicidade farfalha suas asas de fada em volta de mim. Abraça-me com seus braços inefáveis e fustiga meu coração com rajadas de vento renovador. A felicidade é uma semente plantada em vias de germinação, um sonho ainda apenas entrevisto, uma sensação que já inspira emoções mas ainda não foi racionalizada. Invisível, porém sensível, é véspera, vésper, madrugada.
Dizem que ela não existe porque não conseguem tocá-la, afagá-la, catalogá-la, classificá-la, aprisioná-la. Não se tocam que é ela que toca, afaga, anima, alenta, acaricia. Transcende a catálogos, classes e categorias, sopra onde quer e chega quando bem entende, porque só ela sabe a hora certa de chegar. Porque é livre, ou melhor, porque é liberdade.
A felicidade quando vem transforma tudo, começando por mim ou, antes ainda, pelo hálito mental que exala minha mente atormentada. Primeiro algo se transforma à minha volta sem que eu me dê conta, depois me dá uma vontade de cantar, uma emoção imprecisa se avoluma e vai tomando conta de mim. Somente depois é que começam a chegar idéias, mas antes delas ainda uma vontade de agir, fazer acontecer não sei precisamente o que.
É então que me ponho em ação, reverberando o movimento interior que já todo me anima. Para agir preciso pensar, plasmar, elaborar, urdir um plano, traçar um caminho, projetar um destino, fazendo existir a vergôntea, broto, plantinha, do que antes era apenas semente, gérmen, hipótese. Rompendo a semente, a pretensa árvore espia fora do solo em projeção antigravitacional do solo ao sol, brotação fragílima e já árvore, como sempre houvera sido desde semente.
Tocado por essas asas inefáveis, rebento-me em idéias novas e alço vôo rumo à felicidade de fazer o que me apraz, sem nem sempre perceber que o que faço é apenas o reflexo de um movimento maior, que se dá em sentido inverso, quando a felicidade vem de não sei onde e se aproxima de mim.
Sou grato a esse influxo generoso que me felicita com idéias, metas, projetos. Sinto-me tão bem em realizá-los, a tal ponto me identifico com eles, que às vezes chego a pensar que são meus esses projetos, minhas essas idéias, e que a meta mal por mim entremirada seja de fato a meta a ser um dia alcançada.
AC - Sampa, 19/09/2010.
Dizem que ela não existe porque não conseguem tocá-la, afagá-la, catalogá-la, classificá-la, aprisioná-la. Não se tocam que é ela que toca, afaga, anima, alenta, acaricia. Transcende a catálogos, classes e categorias, sopra onde quer e chega quando bem entende, porque só ela sabe a hora certa de chegar. Porque é livre, ou melhor, porque é liberdade.
A felicidade quando vem transforma tudo, começando por mim ou, antes ainda, pelo hálito mental que exala minha mente atormentada. Primeiro algo se transforma à minha volta sem que eu me dê conta, depois me dá uma vontade de cantar, uma emoção imprecisa se avoluma e vai tomando conta de mim. Somente depois é que começam a chegar idéias, mas antes delas ainda uma vontade de agir, fazer acontecer não sei precisamente o que.
É então que me ponho em ação, reverberando o movimento interior que já todo me anima. Para agir preciso pensar, plasmar, elaborar, urdir um plano, traçar um caminho, projetar um destino, fazendo existir a vergôntea, broto, plantinha, do que antes era apenas semente, gérmen, hipótese. Rompendo a semente, a pretensa árvore espia fora do solo em projeção antigravitacional do solo ao sol, brotação fragílima e já árvore, como sempre houvera sido desde semente.
Tocado por essas asas inefáveis, rebento-me em idéias novas e alço vôo rumo à felicidade de fazer o que me apraz, sem nem sempre perceber que o que faço é apenas o reflexo de um movimento maior, que se dá em sentido inverso, quando a felicidade vem de não sei onde e se aproxima de mim.
Sou grato a esse influxo generoso que me felicita com idéias, metas, projetos. Sinto-me tão bem em realizá-los, a tal ponto me identifico com eles, que às vezes chego a pensar que são meus esses projetos, minhas essas idéias, e que a meta mal por mim entremirada seja de fato a meta a ser um dia alcançada.
AC - Sampa, 19/09/2010.
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