domingo, 30 de janeiro de 2011

incomunicabilidade

faltou assunto
estou a sós com o defunto

AC - Sampa, 1979.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

pontaria

camelo certeiro
no fundo da agulha
no fim do palheiro

AC – Sampa 26/01/11

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

outsider

enquanto a Terra
faz mais uma revolução
eu me viro
sem entrar nos eixos

Sampa, 1985

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

pressentimento

a água escoada volta à fonte
ideias idas voltam à mente
o sol poente volta ao nascente
o ano passado está presente
no ano que se pressente.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Giuseppe Ungaretti - Um poema, três leituras

Da quella stella all’altra
Si carcera la notte
In turbinante vuota dismisura,

Da quella solitudine di stella
A quella solitudine di stella.

(Giuseppe Ungaretti)

Entre essa e aquela estrela
Um espaço em branco
Onde a noite é mais preta

Imenso infinito desmedido vácuo
De uma estrela solitária
À solidão de outra estrela

(Giuseppe Ungaretti - versão brasileira de Roberto Prado http://robertoprado.blogspot.com/)

Daquela estrela
Até a outra
Se estende cativa a noite
No excessivo vazio
Vertiginoso vazio
Da solidão que se mede
Daquela estrela
Até a outra

(Giuseppe Ungaretti - versão brasileira de San http://nervosa-san.blogspot.com/)

De estrelas cercada
A noite aprisionada
No turbilhão do nada

De uma estrela só
A outra estrela só

Mais nada?

(Giuseppe Ungaretti - versão brasileira de Alberto Centurião)

Sexta-feira, Agosto 13, 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A traça do tempo

A água corre
O tempo corre
A gente corre

A vida passa
A uva passa
A gente passa

A água o tempo
A vida a uva
A gente traça

Alberto Centurião
Sampa, 17/12/2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

never more

tempo ao revés
revejo através
rosto de quem não sou mais

é outra história
falsa memória
me reconheço não mais

Alberto Centurião
Sampa, 28/10/2010

domingo, 19 de setembro de 2010

diversidade

o indiferente
encontrou o diferente
e nada mais foi igual
AC – Sampa, 08/2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

palavras amigas

palavras antigas
esquecidas desusadas
carregam o peso e a graça
das eras passadas

as novas palavras
abre-alas da linguagem
verberam idéias e rumos
da humana viagem

palavras eternas
resistem às lixas do tempo
não perdem o brilho
são sempre modernas

palavras palavras palavras
companheiras de viagem
amigas que como nós
estão aqui de passagem

AC – Sampa, 15/09/10

terça-feira, 14 de setembro de 2010

vendo

vendo teus olhos
desnudo desvendo
tudo à vista

AC – Sampa 14/09/10