antissonata
vazio vaza
a mente capta
AC - Sampa, 23/07/11
sábado, 23 de julho de 2011
quarta-feira, 6 de julho de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
pororoquinha metafórica
o rio corre ao contrário
o mar entra pela terra
levantando uma barragem
ao rio que fraco reflui
mas embora seja o mar
forte e às vezes bravio
por fim quem vence é o rio
porque mais do que franzino
seu curso mole é constante
já o mar de maré cheia
torna-se em pouco vazante
embora fraco e molenga
não é somente por conta
da sua perseverança
que o rio vence a pendenga
é porque a água do rio
se mistura com a do mar
até que o mar já não sabe
se a água é dele ou do rio
porque água é sempre água
quer seja doce ou salgada
seja de mar ou de rio
e não vendo a diferença
que diferença não há
o mar recolhe e recua
porque tudo sendo água
se acaba a desavença
ah se os homens aprendessem
que assim feito mar e rio
nós temos corpos de água
e se o rio vence o confronto
quem sai ganhando é o mar
que se alimenta da água
que o rio lhe vai despejar
Alberto Centurião
Pauba, 25/06/2011
o mar entra pela terra
levantando uma barragem
ao rio que fraco reflui
mas embora seja o mar
forte e às vezes bravio
por fim quem vence é o rio
porque mais do que franzino
seu curso mole é constante
já o mar de maré cheia
torna-se em pouco vazante
embora fraco e molenga
não é somente por conta
da sua perseverança
que o rio vence a pendenga
é porque a água do rio
se mistura com a do mar
até que o mar já não sabe
se a água é dele ou do rio
porque água é sempre água
quer seja doce ou salgada
seja de mar ou de rio
e não vendo a diferença
que diferença não há
o mar recolhe e recua
porque tudo sendo água
se acaba a desavença
ah se os homens aprendessem
que assim feito mar e rio
nós temos corpos de água
e se o rio vence o confronto
quem sai ganhando é o mar
que se alimenta da água
que o rio lhe vai despejar
Alberto Centurião
Pauba, 25/06/2011
sábado, 25 de junho de 2011
haikai e trova na praia
moça de biquini
a onda lambe-lhe os pés
galante tsumini
coração com anagrama
menina escreve na areia
a onda vem e esparrama
o coração devaneia
AC − Pauba, 24/06/2011
a onda lambe-lhe os pés
galante tsumini
coração com anagrama
menina escreve na areia
a onda vem e esparrama
o coração devaneia
AC − Pauba, 24/06/2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
serpenteando
serpente ou não ser
ser ou não serpente
estou careca de saber
pensa a serpente
a serpentear
(Sampa, 13/06/2011).
ser ou não serpente
estou careca de saber
pensa a serpente
a serpentear
(Sampa, 13/06/2011).
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segunda-feira, 13 de junho de 2011
O artista e seu retrato quando velho
tem vezes que a gente faz coisas que não se faz
e sabe que não devia
mas faz e depois se arrepende
e sente vergonha
medo repulsa dó desalento
mas já fez e está feito
e bate uma baita tristeza
e o coração se oprime
e um peso aperta o peito de um jeito
que o osso do peito sente a pressão
mas já não tem jeito
o que está feito está feito
então o jeito é juntar os cacos
com soldar o que sobrou
tratar de refazer o próprio ego
ferido despedaçado
o dia desperdiçado
e já que não tem conserto
o que foi feito foi feito
consertar a auto-imagem
juntando toda a coragem
para encarar no espelho do fato
o próprio auto-retrato
e decidir fazer com novos atos
novos fatos
para um novo auto-retrato
mais ao gosto do artista
que faz do gesto pincel
e na tela da vida usa o matiz da palavra
para o estudo frustrado recobrir com novas telas
mais do seu jeito mais belas
que o artista sem retoques não seria irretocável
e à custa de repintar-se o artista se reconstrói
recriando os próprios atos
até recriado inteiro tornar-se iguaria fina
o artista quando velho é a própria obra-prima
Alberto Centurião
Joinville, 28/11/2007
e sabe que não devia
mas faz e depois se arrepende
e sente vergonha
medo repulsa dó desalento
mas já fez e está feito
e bate uma baita tristeza
e o coração se oprime
e um peso aperta o peito de um jeito
que o osso do peito sente a pressão
mas já não tem jeito
o que está feito está feito
então o jeito é juntar os cacos
com soldar o que sobrou
tratar de refazer o próprio ego
ferido despedaçado
o dia desperdiçado
e já que não tem conserto
o que foi feito foi feito
consertar a auto-imagem
juntando toda a coragem
para encarar no espelho do fato
o próprio auto-retrato
e decidir fazer com novos atos
novos fatos
para um novo auto-retrato
mais ao gosto do artista
que faz do gesto pincel
e na tela da vida usa o matiz da palavra
para o estudo frustrado recobrir com novas telas
mais do seu jeito mais belas
que o artista sem retoques não seria irretocável
e à custa de repintar-se o artista se reconstrói
recriando os próprios atos
até recriado inteiro tornar-se iguaria fina
o artista quando velho é a própria obra-prima
Alberto Centurião
Joinville, 28/11/2007
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reforma íntima,
sabedoria,
transformação
terça-feira, 7 de junho de 2011
reencarnator
um corpo para muitas almas
reencarnação às avessas
o ator merece palmas
AC – Sampa 07/06/2011
reencarnação às avessas
o ator merece palmas
AC – Sampa 07/06/2011
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Seis horas
Um sino tange
um som pungente
de velhos poetas
na volta do tempo
Há sombras de nuvens que passam
devagar como se parassem
e um antiquado sol amarelado
na beira da estrada apascentando ovelhas
Uma poeirinha
subindo de mansinho
qual tímida nuvenzinha
que vai sumindo devagarinho
até ficar paradinha e fininha
penduradinha no ar bem quietinha
Então
mais parado ainda
recomeça o lento movimento lento
e a gema de ovo do sol
vai cair na frigideira do ocaso
na floresta fogueira imensa
e o horizonte em volta dele-gema
fica coalhado de nuvens-claras
e quando bem frito fica pronta
a bela noite-estrelada
Alberto Centurião
Sampa, lá pelos anos 70
um som pungente
de velhos poetas
na volta do tempo
Há sombras de nuvens que passam
devagar como se parassem
e um antiquado sol amarelado
na beira da estrada apascentando ovelhas
Uma poeirinha
subindo de mansinho
qual tímida nuvenzinha
que vai sumindo devagarinho
até ficar paradinha e fininha
penduradinha no ar bem quietinha
Então
mais parado ainda
recomeça o lento movimento lento
e a gema de ovo do sol
vai cair na frigideira do ocaso
na floresta fogueira imensa
e o horizonte em volta dele-gema
fica coalhado de nuvens-claras
e quando bem frito fica pronta
a bela noite-estrelada
Alberto Centurião
Sampa, lá pelos anos 70
domingo, 22 de maio de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Ponto Morto
Os tempos se exauriram
Os caminhos se fecharam
Os filões são esgotados
Aquelas veredas abertas há cem ou duzentos anos
nos trouxeram aonde estamos
mas não nos levam além
Parados em pleno desvio
Aqui agora livres
Desarraigados desapegados desprogramados
Desabitados das velhas idéias
Desabituados de antigos procedimentos
Desaculturados
Sem já mais prestar culto aos ancestrais
Cruzamos a linha de chegada pisando fundo no ponto de partida
Onde tudo se acaba é que tudo se inicia
É bom que me lembre antes que me esqueça
Afinal todo fim é um novo começo
Quando engato o ponto morto aí mesmo é que ressuscito.
Alberto Centurião
Sampa, 23/11/2007
Os caminhos se fecharam
Os filões são esgotados
Aquelas veredas abertas há cem ou duzentos anos
nos trouxeram aonde estamos
mas não nos levam além
Parados em pleno desvio
Aqui agora livres
Desarraigados desapegados desprogramados
Desabitados das velhas idéias
Desabituados de antigos procedimentos
Desaculturados
Sem já mais prestar culto aos ancestrais
Cruzamos a linha de chegada pisando fundo no ponto de partida
Onde tudo se acaba é que tudo se inicia
É bom que me lembre antes que me esqueça
Afinal todo fim é um novo começo
Quando engato o ponto morto aí mesmo é que ressuscito.
Alberto Centurião
Sampa, 23/11/2007
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