Bandido federal
Preso em cadeia nacional
terça-feira, 28 de agosto de 2012
domingo, 12 de agosto de 2012
Ai, Meu Deus!
‘prazer leitor
sou personagem
foi o autor que me criou
e ao mundo em que vivo (a
obra)
o autor pra mim é Deus
me criou à sua imagem
e a semelhança é inevitável
meu destino e o de meu mundo
são definidos por ele
eu não adoro o autor
mas acredito nele (e o temo)
conheço personagens que o
adoram
outros afirmam que o autor
não existe
mas se eu fui criado
e a obra alguém concebeu
então o autor meu Deus meu
pai
me escreveu e me lê
no princípio nada existia
(existia o autor)
o autor criou a obra
e dentro da obra eu nasci
o autor viu que era bom
e não nos jogou no cesto de
papéis
a obra e eu crescemos
(e nos multiplicamos)
mas de onde tirou o autor
os elementos de que nos fez
senão de si mesmo
posto que o autor é tudo
que determina a obra
à custa de nos construir
com matérias de si mesmo
de algo do autor de sua vida
de sua própria natureza
ficamos impregnados
e somos parte do autor
ele é incompleto sem nós
talvez nem exista sem obra e
personagem
e à força de pensar nisso me
pergunto
se não fui eu quem inventou
o autor
se o autor não é por fim
meu personagem
pois sem obra e personagem
o autor não é autor (ou não
existe)
será você leitor personagem
como eu
ou alguém fora da obra
(não pode haver nada além da
obra
não pode haver outro mundo)
alguém igual ao autor
capaz de criar outras obras
se for
(não pode haver outro tempo
fora do tempo da obra)
talvez ao fim da obra eu
sobreviva
mas se existem mais autores
(e outras obras)
alguém criou vocês (e
escreveu seus mundos)
bobagem
eu aqui falando
(com um leitor imaginário)
(AC - 1997)
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obra,
personagem
sábado, 4 de agosto de 2012
Da série "Oh, Céus!"
materno cuidado
o sol estende um lençol
no céu da cidade
(AC – 04/08/2012 – Inspirado pela foto de Iara
Teixeira)
terça-feira, 31 de julho de 2012
ciclos
nova florada
a seiva do velho tronco
reencarnada
(AC, 28/07/12)
a seiva do velho tronco
reencarnada
(AC, 28/07/12)
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florada,
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seiva,
tronco
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Antes de Criar
Se no princípio havia o Verbo
E o Verbo estava em Deus
E o Verbo era Deus
Então é o verbo amar.
Provado está que Deus amou
Antes de criar.
Provado está que Deus amou
Antes de criar.
Portanto, meu irmão poeta,
Meu irmão cantor
Se a divina flor
Tu queres cultivar
E o Verbo estava em Deus
E o Verbo era Deus
Então é o verbo amar.
Provado está que Deus amou
Antes de criar.
Provado está que Deus amou
Antes de criar.
Portanto, meu irmão poeta,
Meu irmão cantor
Se a divina flor
Tu queres cultivar
Aprende a lição do amor
Antes de criar.
Aprende a lição do amor
Antes de criar.
Antes de criar.
Aprende a lição do amor
Antes de criar.
http://soundcloud.com/alberto-centuri-o/antes-de-criar
Poema de Alberto Centurião - Recife, Boa Viagem, abril/99
Poema de Alberto Centurião - Recife, Boa Viagem, abril/99
Música e Voz de Ana Lívia Sartori
e Fabrício Cantoni - Franca/SP
sábado, 23 de junho de 2012
vias
duas pernas
tantos
caminhosuma cabeça
tantas sentenças
um porto
tantos destinos
AC – Sampa, 23/06/2012
sexta-feira, 22 de junho de 2012
gangorra
agito
cogito
desejo
concebo
balanço
suspenso
peso
penso
sujeito
suspeito
jugo
julgo
reflito
suscito
fato
ou mito
AC – Sampa,
22/06/2012
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gangorra,
julgamento
quinta-feira, 7 de junho de 2012
evolução da espécie
o primeiro
déspota era destro
o segundo sinistro
o terceiro ambidestro
o segundo sinistro
o terceiro ambidestro
sexta-feira, 1 de junho de 2012
codecodificação
a musa sibila
o poeta soletra
o poema só letra
o olho penetra
a mente decifra
a boca silaba
a vida celebra
o tempo calibra
AC - Sampa, 01/06/2012
o poeta soletra
o poema só letra
o olho penetra
a mente decifra
a boca silaba
a vida celebra
o tempo calibra
AC - Sampa, 01/06/2012
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Quanto vale uma canção?
Dona formiga tem uma amiga,
Toca guitarra dona cigarra. (bis)
A cigarra vive a cantar
E a formiga a labutar.
Mas cantar exige esforço
E há beleza em trabalhar.
Dona formiga tem uma amiga,
Toca guitarra dona cigarra. (bis)
Dona formiga, trabalhadeira,
Ganha dinheiro pra se manter.
Dona cigarra, que é cantadeira,
Quer do seu canto sobreviver.
Dona cigarra, com seu cantar,
Cria beleza pra sua amiga.
Sempre alegrando quem escutar,
Trabalha tanto quanto a formiga.
Mas os amigos dessa cigarra
Dizem que o canto não dá camisa.
Não é trabalho, é pura farra,
Não vale nada tanta beleza.
Dona cigarra cantando a esmo,
Tanto trabalho tem pra cantar!
Será que ela precisa mesmo
Virar formiga pra trabalhar?
Dona formiga tem uma amiga,
Toca guitarra dona cigarra. (bis)
Quanto vale uma canção?
É a pergunta da cigarra,
Pra alegrar seu coração
E limpar a sua barra?
Minha irmã cigarra amiga,
A criar sua beleza,
Ouve o que diz a formiga:
- Beleza não põe a mesa.
Mas havia uma formiga
Que guardava uma canção
Muito linda, muito meiga,
Dentro do seu coração.
Que formiga tão bizarra,
De repente é sensação:
Tinha alma de cigarra
E no ventre uma canção.
Como pode uma operária
Descuidar da produção
E deixar de ser gregária,
Pra viver só de emoção?
Um artista proletário
Pra fazer sua canção
Tem que ser um operário,
Trabalhar na produção?
Muito mais produziria
Se vivesse da canção.
Se fizesse, com alegria,
Sua arte profissão.
Quanto vale uma canção
De um poeta popular
Que com fé, numa oração,
Fez da arte o seu altar?
Dona formiga tem uma amiga,
Toca guitarra dona cigarra. (bis)
Seja cigarra, seja formiga,
A mão trabalha e a mente indaga.
Pede comida toda barriga,
Todo trabalho merece paga.
Dona formiga tem uma amiga,
Toca guitarra dona cigarra. (bis)
A cigarra e a formiga
São iguais à sã doutrina.
Praticando a caridade,
Uma dá e a outra ensina.
Se a cigarra talentosa
Morre de inanição,
A formiga operosa
Fica sem sua canção.
Se a cigarra, ao Deus dará,
Sobrevive da canção,
A formiga poderá
Iluminar seu coração.
Será certo uma cigarra,
Que só canta e não produz,
Ser formiga da guitarra
E vender a sua luz?
Se deixou a sua fé
Embalar sua canção,
Já não pode o seu José
Ter na arte profissão?
Um artista sem renome,
A cantar em liberdade,
A cigarra também come.
Também tem necessidade...
Dona formiga tem uma amiga,
Toca guitarra dona cigarra. (bis)
Seja cigarra, seja formiga,
A mão trabalha e a mente indaga.
Pede comida toda barriga,
Todo trabalho merece paga.
Dona formiga tem uma amiga,
Toca guitarra dona cigarra. (bis)
A cigarra vive a cantar
E a formiga a labutar.
Mas cantar exige esforço
E há beleza em trabalhar.
Dona formiga tem uma amiga,
Toca guitarra dona cigarra. (bis)
AC - São Paulo, junho/2000.
Canção gravada pelo Grupo Arte & Vida
com música de Ronaldo Sabino, Franca - SP/2000.
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