segunda-feira, 29 de outubro de 2012

estilhaços


o sol nos cacos da garrafa estilhaçada
gemas falsas esmeraldas

AC - Sampa, 18/10/12
Foto de Maria Estêvão Pereira

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

intransferível


não leve a mal
o inferno
é muito pessoal

fuga impossível
sair do próprio inferno
intransferível

(AC 2012)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Mastro da Paixão

Nosso amor equilibrista
No arame da razão.
Nosso sonho trapezista
No trapézio da ilusão.

Nosso leito, nosso circo,
Picadeiro da emoção.
Nosso amor contorcionista,
Nós nos braços da paixão.

Nosso amor feito palhaço
Deita e rola pelo chão.
Acrobata neste abraço
Pede mais uma função.

Bailarina ou trapezista,
Domador do coração.
Nossa mágica bonita,
Lona e mastro da paixão.

Desfrutar do nosso amor numa gargalhada
Desse jeito meio exibicionista 
Nós no picadeiro, nós na arquibancada
Sendo ao mesmo tempo público e artista

Nesse nosso número correndo o risco
Lona e mastro, nossa tenda armada
Sendo ao mesmo tempo público e artista
Nus no picadeiro, nus na arquibancada

Letra: AC / Música: Luiz Antônio Karam
Feita para um show que não saiu, esta música nunca foi apresentada... Coisas do século passado...

sábado, 22 de setembro de 2012

Quimera estúpida


Um vento lúgubre agita, viscoso,
o ar fétido e gelado
da metrópole agitada.

A mente fatigada
perambula em estado comatoso
entre corpos agitados.

Uma esperança se debate agonizante
mas se agarra, obstinada,
a uma estúpida quimera.

AC - São Paulo, 18/08/2001

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

quase


está faltando café nesse café com leite
está faltando poema nesse poema conceito
está faltando pão nesse pão com geleia
está faltando amor nesse amor perfeito

AC Sampa, 21/12/2011

sábado, 15 de setembro de 2012

História de outro tempo

Longe de tudo e de todos,
Numa casinha vazia,
Cheia de planos e sonhos
Vivia uma linda guria.

O que ela mais desejava
– Queria mas não conseguia –
Era mandar tudo às favas,
Mas dali não sairia.

Porque o lugar dessa casa
Assim ermo e desolado,
Era o palco adonde estava
Seu destino escrevinhado.

Aquela linda criança
Já nem tão criança assim
Um dia cortou a trança,
Sorriu e olhou pra mim.

Caipira tão acanhado
Não sabia o que fazer,
Tive um medo disgramado
Do seu olhar me prender.

Pois era assim que seria,
A partir desse momento:
O olhar dessa guria
Me prendeu o pensamento.

Eu fiquei dela cativo,
Sem graça e muito sem jeito.
Chorava sem ter motivo,
Tinha um aperto no peito.

Mas os dias se passando
Mostraram que do outro lado
A guria me olhando
Tinha um jeito encabulado.

Pra encurtar nossa história,
Depois de dois ou três anos
Eu pude cantar vitória:
Lá na vila nós casamos.

Tivemo um cacho de filho
E pouca coisa guardada,
Só uma roça de milho
Pra criar a filharada.

Mas foi uma vida boa,
Com nosso jardim de flor.
Ai, como o tempo se avoa
Nos braços do meu amor.

Mas nosso amor não se acaba.
Hoje aqui noutra morada,
A cabocla dedicada
Inda é minha namorada.

AC – Escrita inspirada, sem identificação.
Sampa, Agosto/2007.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Brasília Urgente

Bandido federal
Preso em cadeia nacional

domingo, 12 de agosto de 2012

Ai, Meu Deus!



‘prazer leitor
sou personagem
foi o autor que me criou
e ao mundo em que vivo (a obra)

o autor pra mim é Deus
me criou à sua imagem
e a semelhança é inevitável
meu destino e o de meu mundo
são definidos por ele

eu não adoro o autor
mas acredito nele (e o temo)
conheço personagens que o adoram
outros afirmam que o autor não existe
mas se eu fui criado
e a obra alguém concebeu
então o autor meu Deus meu pai
me escreveu e me lê
no princípio nada existia (existia o autor)
o autor criou a obra
e dentro da obra eu nasci
o autor viu que era bom
e não nos jogou no cesto de papéis
a obra e eu crescemos
(e nos multiplicamos)

mas de onde tirou o autor
os elementos de que nos fez
senão de si mesmo
posto que o autor é tudo
que determina a obra

à custa de nos construir
com matérias de si mesmo
de algo do autor de sua vida
de sua própria natureza
ficamos impregnados
e somos parte do autor
ele é incompleto sem nós
talvez nem exista sem obra e personagem
e à força de pensar nisso me pergunto
se não fui eu quem inventou o autor
se o autor não é por fim
meu personagem
pois sem obra e personagem
o autor não é autor (ou não existe)

será você leitor personagem como eu
ou alguém fora da obra
(não pode haver nada além da obra
não pode haver outro mundo)
alguém igual ao autor
capaz de criar outras obras
se for
(não pode haver outro tempo
fora do tempo da obra)
talvez ao fim da obra eu sobreviva

mas se existem mais autores (e outras obras)
alguém criou vocês (e escreveu seus mundos)

bobagem
eu aqui falando
(com um leitor imaginário)

(AC - 1997)

sábado, 4 de agosto de 2012

Da série "Oh, Céus!"


materno cuidado
o sol estende um lençol
no céu da cidade

(AC – 04/08/2012 – Inspirado pela foto de Iara Teixeira)

terça-feira, 31 de julho de 2012

ciclos

nova florada
a seiva do velho tronco
reencarnada

(AC, 28/07/12)