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terça-feira, 30 de abril de 2013

recriatura


escrava do que escreve
recria-se a criatura
liberta-se no libreto
depura literatura

AC - Sampa, 30/04/2013

sexta-feira, 1 de junho de 2012

codecodificação

a musa sibila
o poeta soletra
o poema só letra
o olho penetra

a mente decifra
a boca silaba
a vida celebra
o tempo calibra

AC - Sampa, 01/06/2012

quarta-feira, 21 de março de 2012

Para que serve o poeta?

Para que serve o poeta afinal?
Para que serve a orquídea?
A cachoeira?
A brisa que vem do mar?
Para que serve afinal o peixe ornamental?
O gato? O cachorro?

São todos inúteis,
improdutivos,
difíceis de preservar.

Mas quem abre mão deles?
Quem prescinde da beleza?
Quem desdenha uma emoção?

Peraltices literárias estão na categoria
das coisas inúteis
absolutamente necessárias.

AC - Sampa (no metrô) 22/12/2007

terça-feira, 13 de março de 2012

convites

um papel
com vida
convida
ao poema

um papel
com poema
à vida
convida

(In "- Livrinho! - 1986)

segunda-feira, 5 de março de 2012

o poeta aprisionado em branco
voando em asas de papel

AC (do "- Livrinho!) - 1986

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

a manifestação

tantas coisas tenho que fazer
que preciso falar e não consigo
eu que pouco tenho pra dizer
nada vejo além do meu umbigo

por que sinto esta vontade atroz
de expressar o que não sei de pronto
dando forma e emprestando a voz
ao que sinto mas não chego ao ponto

antecipando-se ao meu pensamento
as palavras tomam minha mão
precipitando o impensado gesto

em minha mente abre-se um clarão
eu fico lúcido por um momento
e por escrito tudo é manifesto

AC – Sampa, 21/02/2012

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

anatomia do poeta

fronte altiva por mais que desgraçada
olhar torcido por realidades paralelas
pernas sobre firmes princípios
sexo ardente faz arder a moral
coluna que não se dobra mesmo quando rasteja
ventre insaciável guarda a fome do mundo
pulmões aspiram sonhos
coração pulsa paixão
na garganta mora uma canção
faro para o futuro
tato para a dor própria e alheia
ouvidos de ouvir musas e sereias
cérebro desregulado pensa diferente
sem falar num certo jeito de dizer
o que mais ninguém diria
com beleza e valentia

AC - Sampa 17/01/2008